Dedico este trabalho ao Desembargador Walter de Almeida Guilherme, ao Dr. Carlos Francisco Bandeira Lins, ao Dr. José Alves de Cerqueira Cesar, ao Dr. Túlio Tadeu Tavares e ao Dr. Omar Tavares de Almeida Alberto.

Santos Dumont nasceu no município de Palmira, hoje Santos Dumont, Minas Gerais, em 20-7-1873. Era filho do engenheiro Henrique Dumont e de Francisca de Paula Santos. Seu pai foi o construtor da ponte sobre o Rio das Velhas e o trecho da estrada de ferro Central do Brasil, entre Palmira e Barbacena. Aos dezessete anos acompanhou a família à Europa, para onde o pai foi em tratamento de saúde. De volta ao Brasil, com dezoito anos, foi emancipado, partindo logo depois, em 1892, para a França a fim de estudar física mecânica e Eletricidade, de acordo com os desejos do pai. Inteligência viva, movida por imensa curiosidade em assuntos científicos e mecânicos, Santos Dumont passou a interessar-se por balões, tendo inclusive contratado um voo a uma firma parisiense, após que comprou um balão da mesma empresa, denominando-o Brasil. Começou então a desenhar e estudar balões dirigíveis, colocando neles motores e petróleo. Vieram os de numero 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Com este último, Santos Dumont conquistou o premio de Deustch de La Meurth, destinado aeronauta que conseguisse, em menos de 30 minutos, elevar-se ao solo, efetuar o percurso de Saint-Cloud à torre Eiffel, contorná-la e voltar o ponto de partida. Em julho de 1901, na França, perante a uma comissão especialmente solicitada para testemunhas, partiu Santos Dumont de Saint-Cloud em direção à Torre Eiffel, contornando-a e regressando ao ponto de partida. Estava assegurada a dirigibilidade dos balões. O dinheiro correspondente ao prêmio que recebeu foi dividido entre pobres e os seus auxiliares. Em 1904 Santos Dumont já se preocupava com o voo em um aparelho mais pesado que o ar. Prosseguiu em seus estudos e com os poucos conhecimentos de aerodinâmica da época, trabalho e esforço, construiu o 14-Bis com o qual fez várias experiências. Em setembro do mesmo ano, realizou o primeiro voo oficial, depois de um percurso de 200 metros no solo, o aparelho subiu 90 cm, durante 100 metros, com a velocidade de cerca de 37 km horários. Com esse voo, realizado no campo de Bagatelle, em Paris e também presenciado por uma comissão do aeroclube da França, solicitada para tal fim, Santos Dumont ganhou o prêmio Archdeacon. No dia 23 de outubro, repetiu o feito, elevando 2 metros de altura num percurso de 220m e a 12 de novembro, com igual percurso, a 5m de altura. Esta foi a origem real, documentada, da aeronáutica. Em 1910, Santos Dumont era o único piloto do mundo, portador de 4 brevês: de balão livre, de dirigível, de biplano e monoplano. Embora o 14-Bis seja famoso, foi o Demoiselle que mais se popularizou, e nele, de 1907 a 1910, Santos Dumont realizou inúmeros voos. Era uma pequena avioneta, frágil e delicada, em tudo igual ao atual avião de asa de asa alta. Santos Dumont não mais voou depois de 1910. A partir da La Grande Guerra ele via acabrunhado, as aplicações de seu invento com meio de destruição. Em 1932, por ocasião de Revolução Constitucionalista de São Paulo, não suportou ver nos céus os aviões prontos para a destruição e resolveu dar fim aos seus dias. Foi encontrado morto em Guarujá, em 27 de julho de 1932. É o patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira. Eleito membro da Academia Brasileira de Letras, recusou-se a tomar posse, por não se julgar merecedor da honraria.

Nota: Este artigo tem por fulcro a brilhante conferencia proferida pelo Desembargador Paulo Miguel de Campos Petroni no Club Athlético Paulistano.